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Nvidia: o boom de IA ​​que impulsiona empresa mais valiosa do mundo apesar de tensões entre EUA e China


O diretor-executivo da Nvidia, Jensen Huang, em um discurso de abertura na Consumer Electronics Show (CES) em Las Vegas, Nevada, em 6 de janeiro de 2025

Getty Images

A fabricante de chips de computador Nvidia foi impulsionada por grandes empresas de tecnologia interessadas em expandir suas capacidades em inteligência artificial, apesar das tensões entre os EUA e a China.

Na quarta-feira, a empresa divulgou uma receita de US$ 46,7 bilhões (cerca R$ 247,5 bilhões) no segundo trimestre do ano, um aumento de 56% em relação ao mesmo período de 2024.

No entanto, a Nvidia, que tem sido pega no meio de uma guerra comercial entre os EUA e a China, afirmou que "continuou a lidar com questões geopolíticas", e suas ações caíram no pregão após o fechamento.

A empresa, que se consolidou como a companhia mais valiosa do mundo, precisou navegar pelas políticas em constante mudança da administração Trump, voltadas a garantir que os EUA mantenham a liderança no desenvolvimento de IA.

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Um boom contínuo de IA

Os chips sofisticados da Nvidia têm sido uma parte importante do boom de inteligência artificial.

Na quarta-feira, a empresa afirmou que a demanda por seus produtos continua forte, especialmente de grandes empresas de tecnologia, incluindo a Meta, dona do Instagram, e a OpenAI, criadora do ChatGPT, enquanto competem para expandir suas capacidades em IA.

"A corrida da IA começou de fato", disse o chefe da Nvidia, Jensen Huang, em uma teleconferência com analistas após a divulgação do relatório, afirmando que os gastos de quatro grandes empresas de tecnologia dobraram, chegando a US$ 600 bilhões por ano (cerca de R$ 3,2 trilhões).

"Com o tempo, você pensaria que a inteligência artificial… aceleraria o crescimento do PIB", disse Huang. "Nossa contribuição para isso é uma grande parte da infraestrutura de IA."

Colleen McHugh, diretora de investimentos da empresa Wealthify, disse ao programa Today da BBC que a Nvidia está "no centro desse boom de IA".

"Ela é praticamente incontestável no mercado de chips para IA", acrescentou.

Ela também afirmou que a empresa é "muito dependente" das gigantes de tecnologia para gerar receita e que a continuidade dos gastos com seus chips faria com que os "retornos e o preço das ações da Nvidia continuassem subindo".

A receita da empresa proveniente de data centers subiu 56%, para US$ 41,1 bilhões (cerca de R$ 218,2 bilhões), mesmo ficando ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas.

Eileen Burbridge, investidora e sócia-fundadora da Passion Capital, disse que a oscilação no preço das ações foi resultado da divisão de data centers "não ter apresentado resultados tão fortes quanto esperava".

No entanto, ela afirmou que a empresa teve um crescimento "inacreditável".

"Claramente, muito capital entrou, e não acho injusto dizer que houve talvez um pouco de euforia ou até uma pequena bolha", acrescentou.

Em julho, a Nvidia se tornou a primeira empresa do mundo avaliada em US$ 4 trilhões (cerca de R$ 21,2 trilhões).

A fabricante de chips de IA, com sede em Santa Clara, Califórnia, disse que a receita no trimestre atual provavelmente chegará a US$ 54 bilhões (aproximadamente R$ 286,2 bilhões), superando as expectativas dos analistas de Wall Street.

Questões Geopolíticas

A Nvidia continua exposta às tensões geopolíticas entre os EUA e a China. A empresa anunciou em julho que retomaria as vendas de seus chips de inteligência artificial de alta performance para a China.

A medida ocorreu após o CEO Jensen Huang conseguir convencer o governo Trump a reverter a proibição da venda dos chips H20 da empresa, desenvolvidos especificamente para o mercado chinês.

O governo havia imposto a proibição devido a preocupações de que os chips pudessem beneficiar não apenas desenvolvedores de IA chineses, mas também o Exército da China. Na quarta-feira, executivos afirmaram que, no final de julho, o governo dos EUA começou a revisar licenças para a venda de chips H20 destinados especificamente a clientes chineses.

A empresa acrescentou que não havia enviado nenhum H20, apesar de alguns clientes baseados na China terem recebido essas licenças nas últimas semanas. O governo dos EUA espera receber 15% da receita gerada com as vendas licenciadas dos chips H20.

A Nvidia não incluiu os H20 em suas projeções para o trimestre atual e afirmou que também está fazendo lobby junto ao governo dos EUA para aprovar a venda de seus chips Blackwell para a China, que continua sendo o maior mercado de seus chips.

Enquanto isso, analistas observam que a China está estimulando a competição no setor que a Nvidia atualmente domina. "As restrições de exportação dos EUA estão fomentando a fabricação doméstica de chips na China", disse o analista da Emarketer, Jacob Bourne, após a divulgação do relatório. Ele acrescentou que a questão agora é se o "mergulho da Nvidia em robótica" ajudará a empresa a manter seu papel como "indicadora da economia de IA".

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